quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sobre a missa da catequese

 Li este texto no blog da Angela, link abaixo. Muito interessante a posição dela com relação à "missa da catequese", ou melhor "Missa para as crianças da catequese"
 Muito interessante repensar nossa s atitudes de cobrança com as crianças sobre a presença delas na missa 
.Não é  que não devamos motivá-las. Mas que elas realmente compreendam o verdadeiro significado do mistério de nossa fé e não apenas compareçam às celebrações eucarísticas por hábito ou por obrigação..
Bom , mas a Angela explica melhor para vocês , os interessados:


"Sobre a Missa da Catequese"

Na verdade a "missa da catequese", mesmo sendo considerada "DA" catequese, se for de alguém, é de toda comunidade. O que acontece é que o pároco disponibiliza um horário de missa para que os catequizandos e suas famílias participem dela, celebrem junto com os adultos ou, em alguns lugares, até sem eles. Mas na grande maioria das paróquias a missa ainda é, DE TODA A COMUNIDADE.

Durante muito tempo eu me vi preocupada, como a maioria dos catequistas, com a baixa "frequência" dos catequizandos nas celebrações litúrgicas. E me preocupei, como muitos, em fazer de tudo e mais um pouco para que, nossos pequenos fiéis lá estivessem, naquele dia e horário...

E já fui, confesso, entusiasta de teatrinhos, showzinhos e muitos "inhos" mais... Mas, estudando liturgia mais a fundo eu vi que, na verdade, estamos totalmente equivocados quando mudamos o rito em prol da "presença" das crianças. 

Explico.
Vocês já pararam para pensar o que é essa "presença" das crianças na celebração? Na festa, no banquete, do Corpo e Sangue de Cristo, sendo que elas nem sequer participam ainda dele? Se temos que "exigir" presença dos catequizandos, que seja depois que eles fizerem a primeira Eucaristia, ou seja, dos crismandos, pois estes sim, já podem perfeitamente participar em comunhão com toda a assembleia de fiéis.
E normalmente deles não se exige nada... "Ah! Adolescente é difícil... deixa eles."

Obviamente que é importante a presença das crianças na missa. Mas... 
COM OS PAIS! COM A FAMÍLIA!
A família, essa instituição que a gente enche a boca pra falar que é "a primeira catequese das crianças", fica de fora na hora de dar o exemplo?
Que sentido existe numa missa com crianças onde os pais ficam em casa?
O que as crianças pensam em ter que participar de um "negócio" que os pais não gostam de participar e vivem arrumando desculpas pra não fazer?
Gente, a missa NUNCA será e terá VALOR para uma criança se o pai e a mãe não têm esse valor!

Missa = celebração da comunidade povo de Deus.  Missa ≠ “hábito”.

Mas o que tenho percebido é que temos insistido na presença das crianças na missa como se fosse uma espécie de "exercício" para adquirir um "hábito", um "costume", uma "rotina", enfim... E temos visto que não funcionou com os pais delas...

Missa é hábito? É costume? É rotina? 
Ou é o encontro de nossas vidas cotidianas com Deus, com Jesus na Eucaristia?

Uma coisa eu digo: Nenhum adulto deveria frequentar a missa porque foi "treinado" na catequese pra não faltar missa.  E se muita gente frequenta a missa por "hábito", explica-se o fracasso que tem sido nossa evangelização nestes últimos tempos...

Para viver verdadeiramente a celebração litúrgica a pessoa precisa adentrar e viver o "mistério" da fé. Precisa se entregar ao ritual: pedir perdão pelas falhas cotidianas, louvar e glorificar a Deus onipotente, escutar a Palavra, professar a fé, fazer preces pela comunidade, oferecer os dons que possui, lembrar e fazer a oração que fala diretamente ao Pai, santificar-se e renovar-se na comunhão, levando isso lá pra fora, para a vida que se começa após cada comunhão.

E, para quem VIVE VERDADEIRAMENTE a missa como memória da vida, morte e ressurreição de Cristo, ela jamais será repetitiva, "hábito", "costume", rotina...

Portanto, dou um conselho a vocês catequistas. Parem tratar esse assunto, da falta das crianças na missa, como uma verdadeira "tragédia". Parem de se descabelar e plantar bananeira lá no altar pra chamar atenção. Parem de fazer show de bonecos, marionetes, contar historinha de bichinhos, criar personagens fictícios como exemplo. Exemplo de verdade são pessoas! E essas pessoas estão na casa delas!

Quando as crianças crescem ou vão numa missa sem essa parafernália toda, o sentimento delas é de traição! Sim. Elas se sentem traídas por vocês! Cadê os bonecos? Cadê a bicharada contando historia? Cadê o pirulito, a bala, o pãozinho? "Ah! Missa então não é teatro?".

A missa, se formos falar como "catequese", precisa ser mais intensamente vivida, quando o sacramento da Eucaristia se encontra próximo. Aí sim, é interessante que o catequista valorize a celebração, peça as crianças que participem dela a cada domingo, que vão observando os ritos, que perguntem o que não entenderam, que falem de suas dúvidas. Mas, NÃO DÊ AULA DE MISSA! Não trate a missa como uma questão de biologia a ser dissecada e olhada no microscópio em todos os seus "pedaços". Quando trabalhamos o sacramento da Eucaristia na catequese, nós estamos explicando a missa! Quando levamos as crianças para conhecer o espaço sagrado e mostramos o que significa os símbolos, os objetos e tudo mais... Estamos explicando a missa! Mas deixe-os vivê-la, eles mesmos, em seus mistérios! Porque "mistério" não se explica! 

Então... Hoje, quando encontro meus catequizandos na Missa eu fico feliz, vou cumprimentá-los e AOS SEUS PAIS e demonstro minha alegria em encontrá-los. Mas, se não os vejo, se eles não vão... eu não cobro, acuso ou faço "chantagem". Nenhuma criança de 11 anos decide a vida sozinha ou aonde quer ir... Eles sabem que amo encontrá-los e vão quando se sentem bem em fazê-lo. Outro dia, eu estava quieta lá no meu banco em oração e alguém me bate nas costas: era um dos meninos da catequese pra me dar um abraço. No dia do catequista, na saída da missa lá estava uma das minhas catequizandas, que raramente vai à missa, me esperando com um vasinho de flores pra me presentear...

E quando tenho oportunidade de ajudar na organização, convido-os para fazer o ofertório, leituras, preces, entrar com símbolos... Para que eles, aos poucos, adentrem a beleza desse rito que marca a nossa fé e nossa vida de cristãos. Convido, nunca imponho. E quando peço ajuda, eles vão...

O que mais pode ajudar as crianças a gostarem de estar na Igreja? Que aja uma acolhida diferenciada a eles, que o sacerdote fale uma linguagem que eles entendam, que os chame em alguns momentos, que eles se sintam bem vindos, que possam ir tomar água quando tem sede, fazer xixi se der vontade, que não fiquem sendo "cutucados" a toda hora sobre o "certo" e "errado"... E que escutem "historinhas" da boca do padre, porque lá, o catequista é ele e não nós.


Ângela Rocha


5 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Acho importante a criançada já, desde pequena, seguir uma religião. Bjs, Fabio www.fabiotv.zip.net

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  2. Que este blog seja mais um canal de divulgação da palavra do Senhor.
    Deus te abençoe.
    http://botefeamor.blogspot.com.br/
    Abraços fraternos!

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  3. OLá querida Edite... Ouvi de um ex-pároco nosso algo que até então não havia prestado atenção... Não existe missa para crianças e sim MISSA COM CRIANÇAS...Se pegarmos esse jeito de fazer catequese, o de inspiração catecumenal, percebemos que ele é casado com a liturgia... Se o catequista for bem consciente, dá para fazer uma ligação dando motivos para a missa, ensinando sim, pois ninguém ama algo que não se conhece... Então, vejo eu e não estou dizendo que estou com a verdade, a catequese, em todo percurso precisa saber dar motivos... Paralelamente trabalhando com os pais, deixando claro a responsabilidade deles nesse caminhar na fé...Façamos bem nossa parte, se eles vão ou não, isso já não nos compete... Nessa minha última turma, qdo fiz o meu último encontro com os pais, uma mãe emocionada e até chorando me agradecia pelo trabalho realizado com os meninos e que em especial para o filho dela, eu havia conseguido algo que ninguém tinha conseguido... Ele perdeu o avô que amava, seu porto seguro, brigava com Deus e com isso não aceitava ir à missa, pois não queria papo com esse Deus que havia levado seu avô... Com os encontros, foi entendendo sobre nossas precariedades e que Deus é puramente amor...(sempre trabalhei muito esse amor de Deus)... juntamente com a ligação entre o os encontros e a missa, fazendo encontros celebrativos, ele começou a ir às missas e exigindo que sua mãe fosse junto... E essa mãe, me dizia, emocionada, que ele ia pra missa sorrindo, feliz... a missa não era mais um peso... Eu, fiquei tão feliz, porque sempre dizia pra eles, que ninguém é obrigado ir à missa, que temos que ir porque entendemos os porquês das coisas... Fui passando minha experiência, vivência dominical nas missas... Por isso, acho que catequese tem que fazer um trabalho bem feito, ensinando, celebrando...
    Ih falei demais neh!!
    Beijo grande!

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    1. Não Imaculada , vc não falou demais não . Muito bom conhecer essa sua experiência, sua forma de trabalhar os encntros catequéticos. São essas experiências que nos enriquecem e acrescentam no nosso aprendizado como catequistas. Volte sempre e deixe sim seu parecer. Abcs

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    2. Muito bem dito: O correto seria missa com as crianças da catequese e não missa para as crianças. Gostei ...

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